
Na cadência do dia, em prenúncio de Outono e por entre os choupos solitários, solta-se um bando de garças em pleno voo de liberdade, cruzando os verdes campos de arroz. A meu redor, apenas a quietude das folhas que se soltam, em espiral, adormecendo no chão de cor quente. O silêncio é amplo e profundo, quebrado de vez em quando pelo coaxar das rãs. E sempre que aqui estou, há uma parte de mim que morre. Os meus pensamentos viciados, são escritos nos detalhes dos troncos, os meus sonhos inacabados, lançados às copas das árvores e as minhas decepções mergulhadas nas águas escuras e densas de onde nascem as sementes do arroz...
É sem dúvida o meu lugar perfeito para transmutar...
Carla Sofia