Quando uma aranha tece a sua teia, nós dizemos que o faz porque assim a natureza o determina. A aranha reage instintivamente, mas para nós a teia pode ser objecto de contemplação estética. É indiscutível que uma teia seja uma construção extraordinária, de uma extrema beleza e que a ela podemos associar um horizonte ilimitado de significados.Eu podia pensar a teia como rede, comunição e interligação de vários pontos distintos. Metáfora dos próprios acontecimentos da vida e da relação entre os seres no mundo. Apesar de sermos únicos, estamos todos ligados nesta grande trama. E quando algo acontece num lugar ou a alguém dessa teia é desencadeada uma onda vibratória que percorre toda área. Essa teia canta e informa todas as partes que a constituem. Associando esta imagem aos acontecimentos, sempre que ocorre um fenómeno novo ele terá a sua repercussão.
Também posso pensar na teia como apego. Voltando à aranha. Ela contrói a sua teia sem se apegar a ela. Mas nós seres humanos, também tecemos muitas teias - de emoções, sentimentos, sonhos e temores, segredos e desejos. Por vezes, teias complexas e sobrepostas e quando percebemos estamos presos aos fios. Em vez de conseguirmos contemplar o conjunto da rede, distanciados, descobrimo-nos perdidos e agarrados a ela...
Por fim, poderei pensar na teia como fragilidade. De uma beleza exuberante, mas efémera. Com ela, a aranha sustenta o seu alimento, só que basta um imprevisto e a teia é destruída num abrir e fechar de olhos. Quantas coisas consideramos belas e cheias de valor mas que têm a sua prosperidade presa por um fio?
CarlaSofia

