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quarta-feira, 22 de outubro de 2008

A Teia: Rede, Apego ou Fragilidade?

Quando uma aranha tece a sua teia, nós dizemos que o faz porque assim a natureza o determina. A aranha reage instintivamente, mas para nós a teia pode ser objecto de contemplação estética. É indiscutível que uma teia seja uma construção extraordinária, de uma extrema beleza e que a ela podemos associar um horizonte ilimitado de significados.
Eu podia pensar a teia como rede, comunição e interligação de vários pontos distintos. Metáfora dos próprios acontecimentos da vida e da relação entre os seres no mundo. Apesar de sermos únicos, estamos todos ligados nesta grande trama. E quando algo acontece num lugar ou a alguém dessa teia é desencadeada uma onda vibratória que percorre toda área. Essa teia canta e informa todas as partes que a constituem. Associando esta imagem aos acontecimentos, sempre que ocorre um fenómeno novo ele terá a sua repercussão.
Também posso pensar na teia como apego. Voltando à aranha. Ela contrói a sua teia sem se apegar a ela. Mas nós seres humanos, também tecemos muitas teias - de emoções, sentimentos, sonhos e temores, segredos e desejos. Por vezes, teias complexas e sobrepostas e quando percebemos estamos presos aos fios. Em vez de conseguirmos contemplar o conjunto da rede, distanciados, descobrimo-nos perdidos e agarrados a ela...
Por fim, poderei pensar na teia como fragilidade. De uma beleza exuberante, mas efémera. Com ela, a aranha sustenta o seu alimento, só que basta um imprevisto e a teia é destruída num abrir e fechar de olhos. Quantas coisas consideramos belas e cheias de valor mas que têm a sua prosperidade presa por um fio?
CarlaSofia

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Espiral

A espiral que cresce... desenhada em galáxias...
A espiral que encolhe... encontrada em remoínhos de vento e de água...
A espiral petrificada... eternizada nas conchas...
De entre todas as formas, a espiral é talvez a que melhor representa a força cósmica em movimento.
A espiral harmoniza o uno e o múltiplo. A diversidade, os desdobramentos e as variações, brotam de um único ponto central. Em volta desse motor imóvel, nasce o próprio movimento, expansivo, como uma dança que tudo tende a abarcar.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Reinventar o Sublime

O Sublime é o sentimento de gosto que expressa a finitude e a pequenez humana perante a grandiosidade da Natureza. Kant caracteriza o sublime da seguinte forma: «O ilimitado oceano revolto, uma alta queda de água de um rio poderoso, tornam a nossa resistência de uma pequenez insignificante em comparação com o seu poder. Mas o seu espectáculo só se torna tanto mais atraente, quanto mais terrível ele é, contanto nos encontremos em segurança (...) e denominaremos esses objectos sublimes porque eles elevam a nossa alma acima da mediana...»(1)
O sublime eleva a alma. Onde é captado e sentido? Na apreciação subjectiva da contemplação de um determinado objecto estético. Uma imagem qualquer desde que grandiosa poderá despertar esse sentimento.
As imagens do telescópio espacial Hubble (2), imagens de galáxias, estrelas, nebulosas, etc. são talvez um bom exemplo da contemplação da beleza terrivelmente extraordinária do Universo. Quando nos apercebemos de que os minúsculos pontos de luz não são estrelas, mas sim gigantescas galáxias, resta-nos perguntar quem somos? o que fazemos aqui? Somos infinitamente pequenos em comparação com tudo o resto. Até o nosso amado planeta não é mais do que uma migalha a flutuar na vastidão cósmica.
Mas a apreciação da majestade e magnificiência do Universo revelou-se ainda mais surpreendente com as observações do microcosmos. A nível atómico e subatómico o pequeno torna-se infinito. O próprio vazio rodeia o átomo. Quanto mais mergulhamos no mundo do infinitivamente pequeno, mais nos apercebemos da sua semelhança com o macrocosmos. Então, é bem verdade que «o que está em cima é como o que está em baixo ou o que está em baixo é como o que está em cima.»
Estes constantes jogos de espelhos, reflexos, cada qual imensamente rico, diverso e complexo, apenas existem porque existe um observador? Qual o nosso lugar?
«[É como se] encontrássemos a nossa própria limitação na incomensurabilidade da natureza e na insuficiência da nossa faculdade para tomar um padrão de medida (...)» (1)
Perante a realidade, descobrimos um sentimento de respeito e temor, pois somos incapazes de compreender a totalidade do seu poder, mas por outro lado, sentimo-nos atraídos e seduzidos pela sua grandiosidade. Tal é o impacto do sublime na nossa mente, que ainda por vezes adormecida, não anula a capacidade de se surpreender nem desiste do caminho da verdade.
Carla Sofia

1) Emmanuel Kant, Crítica da Faculdade de Juízo
2) Aprecie... http://hubblesite.org/gallery/

domingo, 13 de abril de 2008

Algures o Belo

O Belo está presente no mundo mas nem sempre se mostra. Isso acontece não porque o Belo deixou de o ser, mas porque, por vezes, os nossos olhos não o querem ver...
Eu já encontrei a beleza....
numa dança sentida,
num abraço desejado,
num sorriso genuíno.
Um Anjo disse-me:
A nossa Fé dá-nos a força que precisamos quando tudo parece impossível.
As fotos deste blog são de minha autoria, à excepção das que são oferecidas pelos meus amigos. Todas estão devidamente identificadas.

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