terça-feira, 24 de junho de 2008

Reinventar o Sublime

O Sublime é o sentimento de gosto que expressa a finitude e a pequenez humana perante a grandiosidade da Natureza. Kant caracteriza o sublime da seguinte forma: «O ilimitado oceano revolto, uma alta queda de água de um rio poderoso, tornam a nossa resistência de uma pequenez insignificante em comparação com o seu poder. Mas o seu espectáculo só se torna tanto mais atraente, quanto mais terrível ele é, contanto nos encontremos em segurança (...) e denominaremos esses objectos sublimes porque eles elevam a nossa alma acima da mediana...»(1)
O sublime eleva a alma. Onde é captado e sentido? Na apreciação subjectiva da contemplação de um determinado objecto estético. Uma imagem qualquer desde que grandiosa poderá despertar esse sentimento.
As imagens do telescópio espacial Hubble (2), imagens de galáxias, estrelas, nebulosas, etc. são talvez um bom exemplo da contemplação da beleza terrivelmente extraordinária do Universo. Quando nos apercebemos de que os minúsculos pontos de luz não são estrelas, mas sim gigantescas galáxias, resta-nos perguntar quem somos? o que fazemos aqui? Somos infinitamente pequenos em comparação com tudo o resto. Até o nosso amado planeta não é mais do que uma migalha a flutuar na vastidão cósmica.
Mas a apreciação da majestade e magnificiência do Universo revelou-se ainda mais surpreendente com as observações do microcosmos. A nível atómico e subatómico o pequeno torna-se infinito. O próprio vazio rodeia o átomo. Quanto mais mergulhamos no mundo do infinitivamente pequeno, mais nos apercebemos da sua semelhança com o macrocosmos. Então, é bem verdade que «o que está em cima é como o que está em baixo ou o que está em baixo é como o que está em cima
Estes constantes jogos de espelhos, reflexos, cada qual imensamente rico, diverso e complexo, apenas existem porque existe um observador? Qual o nosso lugar?
«[É como se] encontrássemos a nossa própria limitação na incomensurabilidade da natureza e na insuficiência da nossa faculdade para tomar um padrão de medida (...)» (1)
Perante a realidade, descobrimos um sentimento de respeito e temor, pois somos incapazes de compreender a totalidade do seu poder, mas por outro lado, sentimo-nos atraídos e seduzidos pela sua grandiosidade. Tal é o impacto do sublime na nossa mente, que ainda por vezes adormecida, não anula a capacidade de se surpreender nem desiste do caminho da verdade.
Carla Sofia

1) Emmanuel Kant, Crítica da Faculdade de Juízo
2) Aprecie... http://hubblesite.org/gallery/

2 comentários:

Multiolhares disse...

«o que está em cima é como o que está em baixo ou o que está em baixo é como o que está em cima.»

Sabes que esotericamente isso esta conectado com o Cosmos em um todo
O macrocosmos o universo e o microcosmos o corpo humano, tudo o que acontece no exterior, acontece no interior

João António disse...

Carla Sofia,
Navegando pela Net á procura da definição de autonomia como é entendida pela Filosofia, deparei-me com o seu blog e despertou em mim a curiosidade.
Completando Multiolhares, nós fazemos parte de um fenómeno Universal,contemos em nós todas as possibilidades de fazer parte dele, mas também somos possuidores de possibilidades que nos pode levar a excluir.
As consequências parecem tão variadas que, em boa fé, nem sequer as podemos determinar, e apresentamos alguma dificuldade em as entender.
Só uma nota: Se o sublime eleva a alma, em determinadas situações causa a dor e sofrimento.
Um abraço
João António Silva

Um Anjo disse-me:
A nossa Fé dá-nos a força que precisamos quando tudo parece impossível.
As fotos deste blog são de minha autoria, à excepção das que são oferecidas pelos meus amigos. Todas estão devidamente identificadas.

Seguidores

Arquivo dos Universos

universos criados por aqui...